Exposição ‘FLORES SOMBRIAS’ A Pastoral da Mulher de Jundiaí, ao completar seu Jubileu de Prata, resolveu comemorar de forma bastante inusitada. Com um trabalho realizado em parceria com a Associação dos Artistas Plásticos de Jundiaí foi feita uma oficina de criatividade com 14 mulheres assistidas pela Casa de Magdala que resultado na mostra ‘Flores Sombrias’.
Além disso, tem obras de artistas plásticos da AAPJ inspirados no tema sobre a mulher em sociedade, expressos em fotografias, esculturas, pinturas e instalações dos artistas Abel Francisco de Oliveira, Andrey Zignnatto, Graziela Savy e Marco Antônio Scarelli.
A mostra está exposta de 17 a 31 de outubro de 2007 no Museu Histórico e Cultural de Jundiaí, Solar do Barão. Em pronunciamento durante a abertura da mostra, o artista plástico Marco Antônio Scarelli disse que, procurou transmitir às mulheres do curso que beleza é superficial e que o ‘belo brota da alma, da inspiração da vontade de fazer".
Também presente à abertura do exposição, o Bispo Dom Gil Antônio Moreira disse que a mostra abre um diálogo com a sociedade e um trabalho em favor da pessoa humana. A fundadora e atual presidente da Pastoral da Mulher e da Casa de Magdala, a professora Maria Cristina Castilho de Andrade agradeceu a todos os colaboradores e disse que as participantes estavam bastante felizes e com grande orgulho por terem participado do evento da oficina de criatividade, que encerrava as comemorações do Jubileu de Prata da Pastoral da Mulher, em Jundiaí.
Representando a Secretaria Municipal de Cultura, estava presente o diretor do Museu Histórico e Cultural de Jundiaí, o diretor Henrique Crispin, presentes os artistas participantes, as mulheres expositoras, convidados e parentes, enriquecendo esse evento cultural, social e filantrópico no Solar do Barão. A Pastoral da Mulher: A Casa de Magdala, da Pastoral da Mulher, uma instituição que tem por fim, assistir e ajudar socialmente mulheres ex-prostituídas e suas famílias.
A Casa, atualmente sob a presidência da professora Maria Cristina Castilho de Andrade que entrou em contato com a Associação dos Artistas Plásticos de Jundiaí para elaborar um projeto que tivesse o resgate da dignidade humana através de uma oficina de artes visuais , com as mulheres que ficaram, por muito tempo, excluídas por causa do seu trabalho visto como marginal e preconceituoso pela sociedade, em geral.
Essas mulheres na maioria, não tiveram oportunidade de estudar e se aprimorar em profissões técnicas e especializadas. No entanto, atrás disso existem seres humanos com suas histórias, necessidades e principalmente, a vontade de serem reconhecidas e mostrar sua dignidade como cidadãs. Assim, surgiu o projeto de uma possibilidade de resgatar essa visão interna e lhes dar uma oportunidade de se sentirem incluídas na sociedade, através das artes visuais. A oficina de criatividade iniciou em junho de 2007, uma vez por semana de sob a orientação gratuita do artista plástico Marco Antônio Scarelli, Diretor Cultural da AAPJ, onde 14 mulheres assistidas pela Casa de Magdala que tiveram noções de desenho e mistura de cores além de pintura baseada numa obra de arte, onde mostram as suas próprias impressões pessoais e emocionais, trabalhos expostos na mostra "Flores Sombrias', título baseado na escritora Cora Coralina.
A Pastoral da Mulher teve início em 12 de outubro de 1982, a pedido do então bispo diocesano de Jundiaí, Dom Robert Pinarello de Almeida, tendo como uma das fundadoras a professora Maria Cristina Castilho de Andrade, com o fim de dar apóio espiritual e material para mulheres prostitutas das ruas da cidade. Inicialmente as reuniões em torno do assunto eram feitas na Catedral Nossa Senhora do Desterro de Jundiaí e com o tempo, o trabalho foi tendo apoio de várias voluntárias e se cristalizou com a Casa de Magdala, onde se reúnem voluntários e mulheres assistidas. Ali são realizados bazares de roupas, além de terem cursos profissionais que ajudam as assistidas na sua sobrevivência para sair da marginalidade social.
A mostra ‘Flores Sombrias'
A mostra ‘Flores Sombrias' é um conjunto dos trabalhos realizados por 14 mulheres da Casa de Magdala, que se expressaram com pintura sobre tela, tendo como apoio o quadro da ‘Gioconda' de Leonardo da Vinchi, resultando a sua própria expressão e criatividade. A respeito da oficina de criatividade, o monitor do projeto, o artista plástico Marco Antônio Scarelli assim se expressa: "Toda obra visual, quando em exposição, se torna um espelho. Ao tentarmos compreender o que estávamos observando, na realidade, estamos tendo um encontro com nos mesmos. Vemos na obra os nossos próprios valores moraes, alegria, tristeza, repúdio..."
E quanto ao trabalho realizado na oficina de criatividade: "As mulheres da Pastoral da Mulher realizaram esses trabalhos, com toda boa vontade,mesmo sem o prévio conhecimento de desenho artístico e pintura. Mas, exploraram seus próprios sentimentos como espelho, observação de uma obra de arte, o que se tornou muito melhor do que de ensinar a elas cópias de florzinhas ou paisagens canhestras, onde a beleza aparente e superficial é mais presente. Nestes trabalhos elas exploraram o belo que é mais profundo e brota da alma. Realizadas, estas pinturas, dizem mais do resgate da dignidade do ser humano".
Além das 14 pinturas das assistidas pela Casa de Magdala, podem ser vistas esculturas de como ‘Terezinha de Jesus', patrona da Casa de Magdala, "Nascimento de Vênus" de Marco Antônio Scarelli. Fotografias da Casa de Graziela Savy, pinturas como "Banquete no Jardim Dourado", "Redentor" , "Anunciador' de Andrey Zignnatto, pintura "Steep Tease' de Abel de Oliveira, trabalhos como ‘Magdala I" e Magdala II" de Andréia Dulianel e instalações . A mostra ‘Flores Sombrias' pode ser vista de 17 a 31 de outubro de 2007, no horário comercial no Museu Histórico e Cultural de Jundiaí, Solar do Barão, rua Barão de Jundiaí, 762, centro, Jundiaí,SP, tel 11-4521-6259, e-mail:
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(Regina Kalman- artista plástica, Diretora do Patrimônio da Associação dos Artistas Plásticos de Jundiaí)
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